segunda-feira, 7 de março de 2011

Lago *




Agora vou correr perto do lago,

Sentir o vento tentando levar-me os pensamentos,

A relva fria e húmida fazendo-me cócegas,

As árvores abanando para me assustarem,

A água mergulhada na sua própria tranquilidade,

Sem medo de cair,

Sem medo que o vento consiga levar o que sinto,

Sem medo que a relva me faça fraquejar,

Sem medo que as árvores me assustem e me obriguem a esconder-me,

Protegida não, nunca mais,

Não quero proteger-me das árvores, quero simplesmente enterrar o medo,

Para que elas não me assustem,

Quero passar e sentir indiferença,

Não sentir nada, simplesmente passar e andar,

Correr, continuar a sentir,

Quero ser como a água, mergulhada na sua própria tranquilidade,

Quero a paz que vem da corrida, do vento, de mim, da falta de medo,

Quero-me,

Mais uma vez e sempre.

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