domingo, 13 de fevereiro de 2011

Silver, gold or something more?

Prefácio

‘’Num bosque, em pleno Outono, a estrada bifurcou-se,
Mas, sendo um só, só um caminho eu tomaria.
Assim, por longo tempo eu ali me detive,
E um deles observei até um longe declive
No qual, dobrando, desaparecia...
Porém tomei o outro, igualmente viável,
E tendo mesmo um atractivo especial…’’

‘’É de ouro o primeiro verde da natureza
A matiz mais difícil de conservar
A primeira folha é como uma flor
Que pouco mais que uma hora vai durar
Depois, a folha dá lugar à folha
Assim se malogrou o Paraíso
Assim se vai da madrugada ao dia
Nada que é de ouro pode durar’’

Robert Frost
Estou perdida, pensei deixando que o desespero toma-se conta de mim por uns segundos, libertando-me daquela tensão repressora que era manter os meus sentimentos controlados num tão complicado momento.

Olhei em volta, esperando silenciosamente que ninguém me observasse enquanto me atirava para o chão e sussurrava á terra os meus medos e temores descontrolados, a água que escorregava pela minha face caia na erva húmida sem um único som. Apenas os meus sussurros de agonia se ouviam naquela floresta perdida, tão perdida quanto eu. Desejava gritar, gritar para que alguém me salvasse, mas era em vão. Já o tinha feito e ninguém veio em meu socorro. Era justo. Todas as minhas decisões me levaram até aquele ponto, não merecia ajuda, não merecia um salvador, merecia decidir o meu caminho e lutar contra as consequências que agora me impunham um futuro diferente, mas sim, eu merecia. Tudo aquilo era culpa minha. Eu tomara as decisões para chegar aquele ponto da escuridão, agora cabia-me a mim escolher o caminho a seguir, esperando fervorosamente por um caminho mais feliz do que aquele que me levara até ali.

As lágrimas cessaram. De nada ajudaria aquele ataque de histerismo, as minhas mãos ainda agarravam a terra humedecida pelas minhas lágrimas, com tal força que me fazia doer os nós dos dedos. Concentrei-me e obriguei o meu corpo a levantar-se. Com as mãos sujas pela terra e o vestido arruinado pelo chão lamacento olhei em frente, limpei rapidamente as lágrimas para que pudesse ver o que estava á minha frente.

Dois caminhos. Um era o caminho de volta, de volta ao passado, de volta ao ponto em que eu poderia mudar os meus erros, corrigir os percalços e talvez retomar o que tinha abandonado. Outro seria o caminho para um futuro desconhecido, com pessoas desconhecidas e um mundo realmente misterioso que teria de desvendar por minha conta. Um novo recomeço ou um refazer do passado? Teria de escolher, o principal problema era não saber qual dos caminhos levaria a cada uma destas escolhas.

Pensei… Era uma questão de sorte, ou talvez de destino. Algo me guiaria ou estaria por minha conta? Tomar esta decisão mudaria a minha vida, e faria com que o rumo que escolhesse se tornasse o meu futuro. Tomei uma decisão. Seria a mais acertada?

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